quinta-feira, 15 de dezembro de 2016


Este blog é uma válvula de escape da loucura que cerca este artista desolado. É um diário aberto aos que desejam ver, como ferida exposta ao vento, ainda não cicatrizado. Não se cura porque este que se intitula artista cutuca sua ferida, arrancando os cascões, como se gostasse de ver-se sangrando. Meus autorretratos diários no qual proponho aqui demostrará a vida de uma pessoa que assim como você ou a de qualquer outra pessoa, tem algumas semelhanças, como quem percorre o mesmo corredor, mas onde cada um interpreta como o da morte ou a de um jardim. Cada qual com suas dores e angustias. Quem dera eu puder decifrar os pensamentos alheios, nem os meus eu compreendo. Por isso retratar-me como quem se inscreve em pedaços de papel, estetizando ( se isso é possível) a vida, os rostos nossos de cada dia, tal como as fases de cada um de nós, nossas feições modificando com tempo. Selfs aos avessos, dessa mania que temos na modernidade, de se expor no qual dá na teia. Como uma necessidade, uma fome de alguma coisa do qual ainda não sei o nome. Assusto-me com que vejo, seja em mim ou em outros, a aparência de cada um, a palavra ou o gesto reflete em minha face como espelho quebrado, distorcendo, fragmentando, metamorfoseando em outra coisa assim como descrevia Kafka em seus contos.