Este
blog é uma válvula de escape da loucura que cerca este artista
desolado. É um diário aberto aos que desejam ver, como ferida
exposta ao vento, ainda não cicatrizado. Não se cura porque este
que se intitula artista cutuca sua ferida, arrancando os cascões,
como se gostasse de ver-se sangrando. Meus autorretratos diários no
qual proponho aqui demostrará a vida de uma pessoa que assim como
você ou a de qualquer outra pessoa, tem algumas semelhanças, como
quem percorre o mesmo corredor, mas onde cada um interpreta como o da
morte ou a de um jardim. Cada qual com suas dores e angustias. Quem
dera eu puder decifrar os pensamentos alheios, nem os meus eu
compreendo. Por isso retratar-me como quem se inscreve em pedaços de
papel, estetizando ( se isso é possível) a vida, os rostos nossos
de cada dia, tal como as fases de cada um de nós, nossas feições
modificando com tempo. Selfs aos avessos, dessa mania que temos na
modernidade, de se expor no qual dá na teia. Como uma necessidade,
uma fome de alguma coisa do qual ainda não sei o nome. Assusto-me
com que vejo, seja em mim ou em outros, a aparência de cada um, a
palavra ou o gesto reflete em minha face como espelho quebrado,
distorcendo, fragmentando, metamorfoseando em outra coisa assim como
descrevia Kafka em seus contos.